terça-feira, maio 20

Tremores e Temores

Quando os mortos e sofridos de Mianmar e China entram pela minha sala através do jornal da Globo ou da Band, me comovo.
Dia seguinte, parado no tráfego, olhando aquela imensidão de pessoas reclusas confortavelmente em seus automóveis, ouvindo no noticiário o que lhes espera mais adiante, ansiosas ou desesperadas com uma reunião, um chefe, um cheque, um banco, uma bolsa, olhando vez ou outra se não vem um delinqüente na direção do SEU veículo, penso em um imenso terremoto ou furacão, que destrua as grandes cidades do mundo, prédios, máquinas e papéis, e sei que parte daqueles confinados nos automóveis dariam um suspiro de alívio ao pensarem na tarefa real e presente que teriam pela frente: plantar, caçar, pescar para poderem sobreviver.
Mais tarde, sob o ar-condicionado e as paredes de vidro, olhando a paisagem concreta do vigésimo-sexto andar, procuro alguma coisa real na imensidão de prédios, lages e telhados. Não encontro e sinto falta de um motivo, de um terremoto.

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