Quase um ano e meio depois de ocorrido, o Ministério Público do Estado apresentou a solicitação de julgamento (Salvador BA), no caso em que o servidor da Secretaria Municipal de Saúde Neylton Souto da Silveira morreu agredido por dois seguranças (confessos), por haver descoberto desvios de recursos públicos no órgão em que trabalhava.
O Correio da Bahia diz: “ A ex-subsecretária municipal de Saúde, Aglaé Amaral Sousa (PT) e sua amiga, a consultora do órgão Tânia Pimentel Pedroso seriam mandantes do crime – e os vigilantes Jair Barbosa da Conceição e Josemar dos Santos, os executores.”
Aglaé alega o oposto: estão maculando sua honra porque ela “contrariou interesses”. O fato é que quem morreu foi o contador e os seguranças admitiram terem sido contratados pelas acusadas para “dar um corretivo” em Neylton, mas erraram na dose.
Neylton foi convocado por Aglaé para uma reunião, no sábado, e nas instalações da Secretaria encontrou apenas seus algozes.
Um ano e meio depois, as provas, confissões e declarações se misturaram em um novelo que talvez precipitadamente podemos antever um grande nada - um caso de impunidade como o recente “Dorothy”, só que agora “do outro lado”.
Muitos brasileiros têm admitido o mérito do atual governo federal, motivados pelas explosivas ações da Polícia Federal, no que tange a uma suposta “igualdade de direitos”, já que agora quem tem colarinho branco também seria preso. Podemos ver que as coisas podem não ser bem assim. Talvez agora tenhamos uma certa igualdade entre o povo e os poderosos desde que estes não façam parte do politícheskoe bjuró, do “partido”, do grupo, da turma, da seita, da “família”, da “lista”, da classe, enfim, daquilo que os sociólogos estudam sob um título geral de “grupo” e que une pessoas interessadas em sua própria proteção, defesa, interesses = “Morte ala Francia, Italia anela”. Ah, ele nos lembra também os tempos do “Toninho Malvadeza”.
A grande imprensa não comenta.
