Lamentavelmente, como ocorre oitocentas e tantas vezes por ano (segundo as estatísticas divulgadas), uma criança foi assassinada. Não estão computadas aí aquelas vitimadas por erro ou falta de cuidados médicos e aquelas assassinadas por falta da alimentação necessária. Faltam também as vítimas de crimes de trânsito causados por imperícia, imprudência ou negligência.
Muito se tem falado que este caso específico, o da menina Isabella, comoveu a nação inteira e por esta razão atraiu as luzes da imprensa, quando o que ocorreu foi justamente o contrário. A imprensa é que atraída pelo caso e à busca de faturamento promoveu a comoção da nação. Houvesse mobilização igual e centenas de outros casos teriam tomado os lares e as atenções da população.
Dias houve em que emissoras de rádio e televisão permaneceram horas e horas com repórteres plantados junto às entradas dos edifícios das pessoas mais ou menos envolvidas transmitindo flashs com a opinião de transeuntes enquanto nos estúdios advogados e juristas eram ouvidos por jornalistas, modelos, esportistas, atores e atrizes sobre as suspeitas e impressões da polícia ou da promotoria que as externavam no ar e, gravadas, eram repetidas incontáveis vezes.
Os pré-julgamentos, o terror infundido nas crianças que convivem com padrastos e madrastas, o sentimento da mãe da menina e dos avós, a insuflação para o linchamento dos suspeitos, nada disso tem importância. Casos como esse, que permitem colocar a equipe de reportagem num local de fácil acesso, próximo a sanitários, próximo ao comércio de lanches e que possuam abrigo contra o sol, o sereno e as chuvas são um achado.
Esse caso vai cair no esquecimento, como caiu do promotor que teria matado a mulher e a criança que ela esperava, o do deputado que cortaria inimigos com moto-serra, o do juiz filmado disparando contra um segurança, o do desembargador ou ministro que liberaria máquinas de bingo, o do promotor que passeando com a noiva, armado, teria matado um jogador de basquete ou vôlei e outros tantos.
Quando isso ocorrer os diretores de “jornalismo” vão rezar por um novo caso.
Vamos para os nossos comerciais e voltamos em três minutos, não saia daí.
segunda-feira, maio 12
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