Do jeito que as coisas vão indo a população ainda vai acabar exigindo que Salvatore Cacciola devolva o dinheiro que “garfou” dos cofres públicos cerca de um bilhão, quinhentos e setenta milhões de reais.
Não é assim não! Já não basta ele ter sido obrigado a ficar vários anos na Europa, ter adquirido um hotel de quatro estrelas em Roma, próximo do Coliseu, e passear em Mônaco? Já não basta estar preso em cela especial junto com outros presos de curso superior?
Agora ainda querem impedir que ele possa comer lagostas ou salmão? Querem obrigá-lo a comer apenas arroz, feijão, macarrão e carne? Todos os dias? Isso é que não!
Todos nós temos esses direitos básicos. Viajar e adquirir propriedades na Europa, nos hospedarmos nos melhores hotéis do mundo e comermos o que nos agrade. Onde é que nós estamos?
O preço de uma boa galinácea caipira gira ao redor de doze reais, dependendo do peso. A grana, ou bufunfa, que ele surrupiou dos cofres abastecidos com o nosso rico dinheirinho daria para adquirir pouco mais de cento e trinta milhões de galinhas.
Não se trata, convenhamos, de um simples ladrão de galinhas a quem se possa aplicar a lei. As leis e as cadeias foram feitas para os gatunos de uma ou no máximo duas penosas. Não é o caso, data vênia, do perseguido ladravaz Cacciola.
Devagar com o andor pessoal!
sexta-feira, agosto 29
Ereções 2008
Há um novo olhar nas eleições deste ano. Candidatos estão mais coerentes consigo mesmos. Mais explícitos, talvez.
Colhi dois exemplos (abaixo) que ouvi no rádio, por acaso. Se você também colheu alguma dessas pérolas, mande, escreva, informe a mim e aos leitores deste blog.
As que recolhi:
- Corintiano vota em corintiano!
- As crianças do Brasil têm direito aos seus direitos!
Colhi dois exemplos (abaixo) que ouvi no rádio, por acaso. Se você também colheu alguma dessas pérolas, mande, escreva, informe a mim e aos leitores deste blog.
As que recolhi:
- Corintiano vota em corintiano!
- As crianças do Brasil têm direito aos seus direitos!
segunda-feira, agosto 25
Pílulas Venenosas Olímpicas - II
Galvão Bueno reclamou muito da atitude dos brasileiros que representaram a Geórgia no vôlei de praia, nestas olimpíadas. Provavelmente estavam lá pelos mesmos motivos que ele: ganhar muito ouro e prata.
Pílulas Venenosas Olímpicas - I
É inexplicável a classificação do Brasil no quadro de medalhas. Depois de tanto investimento na formação de base dos nossos atletas. Depois de tanto incentivo para que as crianças e jovens pratiquem esportes olímpicos. Depois da construção de tantas praças esportivas nos municípios mais carentes, o que será que aconteceu?
sexta-feira, agosto 22
Latrinas televisivas
Que direito tem um apresentador de exibir em programa de transmissão nacional, em horário dito nobre, imagens de uma menina grávida vítima de violência sexual praticada pelo próprio pai?
Não mostrar nitidamente o rosto da criança ou adolescente, mas informar o bairro e mostrar a mãe, o pai, os avós e vizinhos não é a mesma coisa que identificar completamente a vítima e condená-la aos mesmos constrangimentos que sofreria se tivesse as feições mostradas?
O Supremo Tribunal Federal, recentemente, exigiu cuidados com a divulgação de imagens de presos, notadamente dos abastados criminosos nacionais. Será que se preocupa também com a preservação das imagens das vítimas? Existe alguma providência séria nesse sentido?
Antigamente, tanto no rádio quanto na televisão, existiam programas que se aproveitavam de crimes ocorridos e de criminosos para rechearem programações. Vários apresentadores obtiveram fama e cargos eletivos à custa de vítimas, policiais e criminosos. A grande maioria berrava dentro dos estúdios ofendendo pessoas acusadas de cometimento de crimes, mesmo antes da formal condenação. A totalidade, ou a quase totalidade, das entrevistas nesses programas era gravada. Um repórter ia até a Delegacia e fazia perguntas ao detido. Depois, no estúdio, o apresentador fazia novas perguntas, quase sempre começadas com “Vagabundo”, “Canalha”, “Covardão”, ou outros xingamentos e as respostas gravadas eram transmitidas como se o preso respondesse diretamente ao apresentador. É óbvio que, por segurança, o apresentador e o detido estavam a dezenas, centenas ou milhares de quilômetros um do outro. Os mais agressivos andavam com seguranças.
Não tenho ouvido rádio, mas na televisão é fácil encontrar-se programação desse tipo, nos mais variados horários. É muito provável que haja audiência e que esse tipo de programação acarrete rendimentos para as emissoras, para as empresas patrocinadoras e, fundamentalmente, para os apresentadores.
O que é discutível é que valores morais, éticos ou transformadores esse tipo de porcaria pode proporcionar ao conjunto da sociedade? No que esse lixo pode ajudar as vítimas ou melhorar as outras pessoas e os seus comportamentos? As concessões públicas das emissoras são dadas com essa finalidade?
Tenho certeza que a apresentação detalhada de pessoas defecando atingiria os mesmos propósitos, audiência e rendimentos.
O produto final, certamente, seria o mesmo.
Não mostrar nitidamente o rosto da criança ou adolescente, mas informar o bairro e mostrar a mãe, o pai, os avós e vizinhos não é a mesma coisa que identificar completamente a vítima e condená-la aos mesmos constrangimentos que sofreria se tivesse as feições mostradas?
O Supremo Tribunal Federal, recentemente, exigiu cuidados com a divulgação de imagens de presos, notadamente dos abastados criminosos nacionais. Será que se preocupa também com a preservação das imagens das vítimas? Existe alguma providência séria nesse sentido?
Antigamente, tanto no rádio quanto na televisão, existiam programas que se aproveitavam de crimes ocorridos e de criminosos para rechearem programações. Vários apresentadores obtiveram fama e cargos eletivos à custa de vítimas, policiais e criminosos. A grande maioria berrava dentro dos estúdios ofendendo pessoas acusadas de cometimento de crimes, mesmo antes da formal condenação. A totalidade, ou a quase totalidade, das entrevistas nesses programas era gravada. Um repórter ia até a Delegacia e fazia perguntas ao detido. Depois, no estúdio, o apresentador fazia novas perguntas, quase sempre começadas com “Vagabundo”, “Canalha”, “Covardão”, ou outros xingamentos e as respostas gravadas eram transmitidas como se o preso respondesse diretamente ao apresentador. É óbvio que, por segurança, o apresentador e o detido estavam a dezenas, centenas ou milhares de quilômetros um do outro. Os mais agressivos andavam com seguranças.
Não tenho ouvido rádio, mas na televisão é fácil encontrar-se programação desse tipo, nos mais variados horários. É muito provável que haja audiência e que esse tipo de programação acarrete rendimentos para as emissoras, para as empresas patrocinadoras e, fundamentalmente, para os apresentadores.
O que é discutível é que valores morais, éticos ou transformadores esse tipo de porcaria pode proporcionar ao conjunto da sociedade? No que esse lixo pode ajudar as vítimas ou melhorar as outras pessoas e os seus comportamentos? As concessões públicas das emissoras são dadas com essa finalidade?
Tenho certeza que a apresentação detalhada de pessoas defecando atingiria os mesmos propósitos, audiência e rendimentos.
O produto final, certamente, seria o mesmo.
quarta-feira, agosto 20
As algemas e a exposição dos detidos
A idade vai deixando algumas pessoas mais desconfiadas. Deve ser o meu caso.
Ministros do Supremo, Deputados, Senadores e outras personalidades manifestaram-se contra o uso de algemas, e a divulgação pela imprensa das imagens, expondo os poderosos a vergonhas antes só impingidas aos ladrões de galinhas.
Boa parte da população lavou a alma com a impressão de que a Justiça valia para todos e indignou-se com a velocidade de expedição dos hábeas corpus concedidos.
Depois, para provar que a celeridade e o apego à letra da Lei não valiam somente para aqueles com contas, bolsas e bolsos recheados, um cidadão daqueles da base da pirâmide, condenado por homicídio, teve o julgamento anulado, por unanimidade, porque compareceu à presença do Juiz e dos Jurados com as mãos algemadas.
É como se os Ministros estivessem gritando: “Tá vendo, não é só com os donos de bancos que nos preocupamos, os plebeus também merecem a nossa atenção”.
Já naquele mesmo dia meu alarme das desconfianças começou a soar. Junto com a anulação do julgamento foram ditadas regras para serem usadas nas futuras prisões. O tal cidadão deve ser julgado e, provavelmente, condenado novamente e o que vai restar são as proibições sobre o uso de algemas e a exposição dos presos.
Ontem assisti a um programa dito jornalístico onde o apresentador berrava e xingava um acusado de crime de maus tratos contra uma menininha filha de sua amásia (obviamente o apresentador estava muito longe do xingado).
Estranhamente, por mais culpado que seja, o rapaz não havia sido julgado ainda e já estava sendo condenado e exibido pelo apresentador. A mãe da menina também foi exibida presa. A avó e a menina falaram ao programa e esta, apesar do rosto desfocado, poderá ser facilmente identificada por quem conheça um dos mostrados.
Cadê a proteção a esses presos? Pior, cadê a proteção da própria vítima? Além de encher o bolso do apresentador, da emissora e dos patrocinadores, no que a sociedade se beneficia com esse tipo de programação?
Meu maldito alarme fica martelando. O uso de algemas e a exposição da arraia-miúda vão continuar. O que vai ser impedido e pode acabar dando margem a anulações de julgamentos ou até indenizações é a exibição das prisões e as algemas dos tubarões.
Ministros do Supremo, Deputados, Senadores e outras personalidades manifestaram-se contra o uso de algemas, e a divulgação pela imprensa das imagens, expondo os poderosos a vergonhas antes só impingidas aos ladrões de galinhas.
Boa parte da população lavou a alma com a impressão de que a Justiça valia para todos e indignou-se com a velocidade de expedição dos hábeas corpus concedidos.
Depois, para provar que a celeridade e o apego à letra da Lei não valiam somente para aqueles com contas, bolsas e bolsos recheados, um cidadão daqueles da base da pirâmide, condenado por homicídio, teve o julgamento anulado, por unanimidade, porque compareceu à presença do Juiz e dos Jurados com as mãos algemadas.
É como se os Ministros estivessem gritando: “Tá vendo, não é só com os donos de bancos que nos preocupamos, os plebeus também merecem a nossa atenção”.
Já naquele mesmo dia meu alarme das desconfianças começou a soar. Junto com a anulação do julgamento foram ditadas regras para serem usadas nas futuras prisões. O tal cidadão deve ser julgado e, provavelmente, condenado novamente e o que vai restar são as proibições sobre o uso de algemas e a exposição dos presos.
Ontem assisti a um programa dito jornalístico onde o apresentador berrava e xingava um acusado de crime de maus tratos contra uma menininha filha de sua amásia (obviamente o apresentador estava muito longe do xingado).
Estranhamente, por mais culpado que seja, o rapaz não havia sido julgado ainda e já estava sendo condenado e exibido pelo apresentador. A mãe da menina também foi exibida presa. A avó e a menina falaram ao programa e esta, apesar do rosto desfocado, poderá ser facilmente identificada por quem conheça um dos mostrados.
Cadê a proteção a esses presos? Pior, cadê a proteção da própria vítima? Além de encher o bolso do apresentador, da emissora e dos patrocinadores, no que a sociedade se beneficia com esse tipo de programação?
Meu maldito alarme fica martelando. O uso de algemas e a exposição da arraia-miúda vão continuar. O que vai ser impedido e pode acabar dando margem a anulações de julgamentos ou até indenizações é a exibição das prisões e as algemas dos tubarões.
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