domingo, junho 22
Pirirí Pororó
Bem, a Band apresentou na última sexta uma previsão do tempo inovadora (na tv brasileira), muito agradável e que atende ao público das diversas regiões do país.
Não sei se é um novo "desenho" ou se foi um momento específico. Caso seja o novo formato, parabéns para a Band. Provavelmente as outras serão obrigadas a promover mudanças também (correr atrás!).
Ruim para o Plácido que perdeu a oportunidade de comentar esse fato e falar da "grande imprensa". Ruim para a Globo que, neste caso específico, ficou para trás.
Resta uma pergunta: a inovação surge do "sangue, suor e lágrimas" ou do atrelamento ao "tutú", "bufunfa", "cobre", "prata", "money", "cascalho", normalmente vinculado ao círculo do poder? Vendo com outro olhar: será que estamos assistindo ao crescimento de um outro veículo de comunicação (e dominação como diriam alguns), atrelado às benesses do poder público?
Aguardo opiniões.
segunda-feira, junho 16
Caverna regurgita apresentador.
Imaginei a emissora colocando mensagens no ar a respeito da deglutição e um novo apresentador, também de fartas carnes e adiposidades, assumindo o posto do desaparecido. Qual o que. Geraldo Luís continuou gritando e ordenando que a câmera chacoalhasse, o que, convenhamos, pelo menos logo após as refeições pode causar náuseas. Como nem cavernas se fazem mais como antigamente, ao final, o apresentador ameaçou voltar ao ar no dia de amanhã.
Ou a chamada era falsa e a pobre gruta não engole ninguém ou o sabor é intragável e a coitadinha o vomitou entrada afora.
É proibido ter filhos.
Tínhamos assistido um dos noticiários da televisão e havia sido mostrado o caso de uma criança maltratada pelos pais. Indignado ele lembrou de alguns dos incontáveis casos mostrados pela mídia e de outros, mais incontáveis ainda, não mostrados. Falou de homicídios, estupros, atentados ao pudor e agressões que chegavam às pesquisas e de outros que não saiam do âmbito doméstico onde viviam vítimas e agressores. Criticava a pouca ação dos Conselhos Tutelares, da Polícia, do Ministério Público e da Magistratura. Dizia que se a medida fosse adotada, o Estado seria melhor já que, provavelmente, também não teríamos políticos filhos de políticos (mortos ou vivos), enumerando filhos de senadores, governadores, prefeitos, presidentes e deputados, incluindo os de outros países.
Quando lhe disse do absurdo da medida ele esclareceu que apenas depois de serem julgados capazes, moral, psicológica e economicamente é que os pais receberiam a permissão para ter um filho. Salientou que não era necessário ser rico para receber a autorização e que ao Estado caberia a saúde e a educação de qualidade. Um conselho com cidadãos da comunidade, além de médicos, psicólogos, poetas, artistas e outros especialistas é que julgaria as solicitações (todos os filhos deveriam ser desejados). Adiantou que apenas o conselho autorizaria o uso de uma substancia que bloquearia os anticoncepcionais que seriam misturados, pelos governos, em todos os alimentos, bebidas e água. Frisou que no mínimo três membros de cada categoria deveriam fazer parte do conselho, para minimizar erros de julgamento.
Mencionei que haveria corrupção e a autorização ou a substância poderia ser adquirida por quem pagasse mais. Ele argumentou que filhos desejados, gerados e criados com acompanhamento adequado seriam, entre outras qualidades, menos corruptos e menos corruptores.
Depois enigmaticamente sorriu. Falava sério ou provocava a discussão?
No carro, no caminho de volta do sítio, pensei no Bush, no Nardoni, na mãe que jogou o filho na estrada. Pensei no que faz meninas e adolescentes fugirem de casa. Você tem respostas?
sexta-feira, junho 13
Como uma Filha
“Eu apanhava de vassoura, de cinto, era enforcada, recebia beliscões e tapa no rosto de dona Maria Helena, do marido dela (José Carlos Carreiro Silva) e de suas duas filhas (Fabiane e Juliane)”, declarou Gabriela, chorando copiosamente. Conduzida à 12a Delegacia (Itapuã), a professora negou as acusações de agressão física e de maus-tratos, mas confessou que não pagava salário nem permitia que a jovem saísse de casa. A delegada Francineide Moura, titular da unidade, informou que vai apurar as denúncias durante inquérito policial, com previsão de conclusão em 30 dias.
Gabriela disse, em depoimento à polícia, que foi doada a Maria Helena pelos pais, quando ainda era criança.quarta-feira, junho 11
Para o Rogê, a Mariana e o pessoal de Itariri
Estranhamente é mais praticado por aqueles que tem menos. Talvez por não ser indispensável ter posses para socorrer. Basta a existência desse sentimento para que seja automaticamente acionado quando a situação se apresenta. Que mecanismos o acionam em determinados momentos é matéria que deveria ser estudada para mais se universalizar, para poder ser ensinada, se é que isso pode ser feito.
Algumas vezes ações de solidariedade chegam até nós pelos meios de comunicação. Pessoas doando mantimentos, roupas e remédios ou mesmo o próprio trabalho às vítimas de catástrofes. Outras vezes são testemunhas ou os próprios favorecidos pelas ações que nos dão conhecimento tanto dos atos quanto dos autores. Não vale quando é o próprio autor que divulga o feito. Aí não merece o nome. Tem outra finalidade. Busca a compensação ou o reconhecimento e, via de regra, visa recompensa muito maior do que a que efetivamente prestou.
Alguns casos marcam mais que outros:
Um quando o policial que vai ao local de acidente fica junto com o acidentado, preso às ferragens do caminhão, aguardando socorro de médicos e bombeiros, que sabe serem inúteis. Sabe-se lá com que forças a vítima permanece lúcida e conversando, mesmo com o corpo prensado e perfurado, com aquele sujeito desconhecido dobrado e ajoelhado sobre o asfalto que o manda resistir e tenta lhe dar algum conforto.
Outro quando a vizinha atravessa a rua, limpa e banha à senhora sozinha e doente até que esta possa cuidar-se por si só. Só conhecimento ou amizade não abarcam essas ações.
Outro quando o acidente é menos grave, mas os cuidados e o conforto são os mesmos e a vítima faz parte de sua vida.
Se o autor ou autores são conhecidos, deveríamos louvar-lhes as ações. Se forem desconhecidos deveríamos agir como se qualquer necessitado fosse um daqueles a quem precisamos agradecer ou retribuir. O mundo vai ser melhor.
segunda-feira, junho 9
Que Pena
Acredite se quiser.
quarta-feira, junho 4
Doela a quien doela (Faz falta Stanislau Ponte Preta)
Quase um ano e meio depois de ocorrido, o Ministério Público do Estado apresentou a solicitação de julgamento (Salvador BA), no caso em que o servidor da Secretaria Municipal de Saúde Neylton Souto da Silveira morreu agredido por dois seguranças (confessos), por haver descoberto desvios de recursos públicos no órgão em que trabalhava.
O Correio da Bahia diz: “ A ex-subsecretária municipal de Saúde, Aglaé Amaral Sousa (PT) e sua amiga, a consultora do órgão Tânia Pimentel Pedroso seriam mandantes do crime – e os vigilantes Jair Barbosa da Conceição e Josemar dos Santos, os executores.”
Aglaé alega o oposto: estão maculando sua honra porque ela “contrariou interesses”. O fato é que quem morreu foi o contador e os seguranças admitiram terem sido contratados pelas acusadas para “dar um corretivo” em Neylton, mas erraram na dose.
Neylton foi convocado por Aglaé para uma reunião, no sábado, e nas instalações da Secretaria encontrou apenas seus algozes.
Um ano e meio depois, as provas, confissões e declarações se misturaram em um novelo que talvez precipitadamente podemos antever um grande nada - um caso de impunidade como o recente “Dorothy”, só que agora “do outro lado”.
Muitos brasileiros têm admitido o mérito do atual governo federal, motivados pelas explosivas ações da Polícia Federal, no que tange a uma suposta “igualdade de direitos”, já que agora quem tem colarinho branco também seria preso. Podemos ver que as coisas podem não ser bem assim. Talvez agora tenhamos uma certa igualdade entre o povo e os poderosos desde que estes não façam parte do politícheskoe bjuró, do “partido”, do grupo, da turma, da seita, da “família”, da “lista”, da classe, enfim, daquilo que os sociólogos estudam sob um título geral de “grupo” e que une pessoas interessadas em sua própria proteção, defesa, interesses = “Morte ala Francia, Italia anela”. Ah, ele nos lembra também os tempos do “Toninho Malvadeza”.
A grande imprensa não comenta.
