segunda-feira, junho 16

Caverna regurgita apresentador.

Hoje, depois do almoço, sentei-me para uma merecida sesta e corri os canais de televisão com o controle remoto para tentar uma cochilada. No canal do bispo, a TV Record, havia uma chamada na tela a respeito de uma caverna que engole gente. Como vi o apresentador do programa caminhando gruta à dentro, esperei que ocorresse o melhor, que a caverna fizesse jus ao nome.
Imaginei a emissora colocando mensagens no ar a respeito da deglutição e um novo apresentador, também de fartas carnes e adiposidades, assumindo o posto do desaparecido. Qual o que. Geraldo Luís continuou gritando e ordenando que a câmera chacoalhasse, o que, convenhamos, pelo menos logo após as refeições pode causar náuseas. Como nem cavernas se fazem mais como antigamente, ao final, o apresentador ameaçou voltar ao ar no dia de amanhã.
Ou a chamada era falsa e a pobre gruta não engole ninguém ou o sabor é intragável e a coitadinha o vomitou entrada afora.

É proibido ter filhos.

Um amigo meu da cidade de Miracatu, num desses finais de semana, sugeriu que deveria ser proibido ter filhos.
Tínhamos assistido um dos noticiários da televisão e havia sido mostrado o caso de uma criança maltratada pelos pais. Indignado ele lembrou de alguns dos incontáveis casos mostrados pela mídia e de outros, mais incontáveis ainda, não mostrados. Falou de homicídios, estupros, atentados ao pudor e agressões que chegavam às pesquisas e de outros que não saiam do âmbito doméstico onde viviam vítimas e agressores. Criticava a pouca ação dos Conselhos Tutelares, da Polícia, do Ministério Público e da Magistratura. Dizia que se a medida fosse adotada, o Estado seria melhor já que, provavelmente, também não teríamos políticos filhos de políticos (mortos ou vivos), enumerando filhos de senadores, governadores, prefeitos, presidentes e deputados, incluindo os de outros países.
Quando lhe disse do absurdo da medida ele esclareceu que apenas depois de serem julgados capazes, moral, psicológica e economicamente é que os pais receberiam a permissão para ter um filho. Salientou que não era necessário ser rico para receber a autorização e que ao Estado caberia a saúde e a educação de qualidade. Um conselho com cidadãos da comunidade, além de médicos, psicólogos, poetas, artistas e outros especialistas é que julgaria as solicitações (todos os filhos deveriam ser desejados). Adiantou que apenas o conselho autorizaria o uso de uma substancia que bloquearia os anticoncepcionais que seriam misturados, pelos governos, em todos os alimentos, bebidas e água. Frisou que no mínimo três membros de cada categoria deveriam fazer parte do conselho, para minimizar erros de julgamento.
Mencionei que haveria corrupção e a autorização ou a substância poderia ser adquirida por quem pagasse mais. Ele argumentou que filhos desejados, gerados e criados com acompanhamento adequado seriam, entre outras qualidades, menos corruptos e menos corruptores.
Depois enigmaticamente sorriu. Falava sério ou provocava a discussão?
No carro, no caminho de volta do sítio, pensei no Bush, no Nardoni, na mãe que jogou o filho na estrada. Pensei no que faz meninas e adolescentes fugirem de casa. Você tem respostas?