sexta-feira, maio 30

Julinho da Adelaide

Na época da Ditadura Militar, tudo ou quase tudo o que Chico Buarque de Holanda escrevia era censurado. Para driblar a Censura ele compôs algumas músicas com o pseudônimo de Julinho da Adelaide e os censores as deixaram passar incólumes.
Estes dias lembrei-me dele em razão das notícias veiculadas pela mídia. Em São Paulo mais um Promotor de Justiça é suspeito de cometer crimes. No Rio, o ex-Governador e ex-Secretário da Segurança Garotinho, o ex-Chefe da Polícia Civil e mais alguns outros policiais estão sendo acusados de corrupção, formação de quadrilha, contrabando e outros crimes. Pelo Brasil afora, um Delegado aposentado foi preso por pedofilia e crimes semelhantes foram atribuídos a um padre e a um pastor. Pais são acusados de matar filhas e filhos, filhos e filhas são acusados de matar pais e avós.
Em quem confiar? A quem recorrer? Que estrago isso faz à convivência em sociedade? Porque seguir as regras estatuídas se os que as criam e os que as devem fazer respeitar não as cumprem?
Lembrei-me de algumas comunidades onde as pessoas confiam mais sua “segurança” e “bem estar” ao crime organizado do que aos agentes do estado.
Fica claro porque proliferam as seitas e religiões que prometem um mundo melhor apenas depois da morte. É compreensível porque se devem pagar os dízimos. Já que aqui pagamos impostos e a coisa vai por aonde vai, porque não garantir um seguro no além contribuindo regularmente?
Edu Lobo e Ruy Guerra diziam que “Quem não tem mais nada a perder só vai poder ganhar”. Chico “Julinho da Adelaide” Buarque ia mais fundo:
“Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão”.

2 comentários:

Anônimo disse...

Alguém me mostrou o blog e desde o dia que li, ele faz parte dos meus favoritos.

Incrível como a tecnologia pode aproximar qualquer distância e ao mesmo tempo nos acorda 04:50 da manhã para fazer café. :(

Beijos

Plácido disse...

Tata, desculpe-me a demora. Obrigado e um beijão