sexta-feira, julho 4

A Fúria e o Canarinho

No último domingo foi comemorado o aniversário de cinqüenta anos da conquista da Copa do Mundo de Futebol ocorrida em 29/06/1958, pela Seleção Brasileira, o Escrete Canarinho. No mesmo domingo, a seleção da Espanha, a Fúria, comemorou a conquista da Euro Copa 2008 num disputado e excelente jogo contra a seleção da Alemanha.
Para quem viu alguns dos jogos da copa européia e anda vendo jogos dos campeonatos disputados no Brasil, fica a certeza de que alguma coisa estranha está acontecendo.
De um lado as seleções da Europa disputando um futebol rápido e ofensivo e de outro os times brasileiros mostrando jogos truncados e prioritariamente defensivos. Esse mesmo espírito é o que está sendo aplicado à seleção brasileira.
Multidões na Espanha e na Alemanha saudando suas seleções (alemães comemorando o segundo lugar) e aqui, no último jogo da seleção, em Belo Horizonte, os torcedores pedindo a cabeça do técnico Dunga, que é, como técnico, uma invenção do presidente da CBF.
A própria CBF parece uma capitania hereditária. Foi propriedade do João Havelange por 17 anos e agora é propriedade de seu ex-genro, Ricardo Teixeira, no poder desde 1989 e com trono garantido até 2015. Teixeira, suspeito de uma série de irregularidades, como um mago de televisão, tirou da cartola o tal do Dunga que nunca havia sido técnico de nada e vem dando imensa satisfação a jogadores e torcedores de outros países nos confrontos contra o Brasil.
Durante o reinado de Ricardo Teixeira os clubes ficaram mais pobres, os craques foram embora para o exterior e os estádios de futebol estão desabando (diz-se que se a Copa fosse hoje, nenhum deles estaria autorizado pela FIFA a receber jogos). O Senhor Feudal Ricardo I diz que as despesas com a Copa do Mundo correrão por conta da iniciativa privada, mas há muito se pergunta quantos desses bilhões caberão aos cofres públicos e, por conseqüência aos nossos bolsos.
Nestes mesmos dias das comemorações uma eleição livrou o Vasco da Gama do mal falado Eurico Miranda. Com a saída do pai, é bem possível que os filhos deixem os empreguinhos que tinham no clube. Quem sabe os bons ventos que varreram São Januário não soprem pra longe outros cartolas dos nossos clubes e da CBF. Uma coisa é certa, nessa mesma toada e com esses mesmos “beneméritos” do nosso futebol, não é necessária muita Fúria pra acabar com o Canarinho.

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