quarta-feira, junho 11

Para o Rogê, a Mariana e o pessoal de Itariri

A solidariedade é provavelmente o sentimento que mais dignifica o ser humano. Longe das ações espalhafatosas ou sob as luzes dos holofotes é o ato anônimo, quase inconsciente, que move um ser para socorrer, ajudar, apoiar, ficar ao lado de outro que por qualquer motivo dele necessite.
Estranhamente é mais praticado por aqueles que tem menos. Talvez por não ser indispensável ter posses para socorrer. Basta a existência desse sentimento para que seja automaticamente acionado quando a situação se apresenta. Que mecanismos o acionam em determinados momentos é matéria que deveria ser estudada para mais se universalizar, para poder ser ensinada, se é que isso pode ser feito.
Algumas vezes ações de solidariedade chegam até nós pelos meios de comunicação. Pessoas doando mantimentos, roupas e remédios ou mesmo o próprio trabalho às vítimas de catástrofes. Outras vezes são testemunhas ou os próprios favorecidos pelas ações que nos dão conhecimento tanto dos atos quanto dos autores. Não vale quando é o próprio autor que divulga o feito. Aí não merece o nome. Tem outra finalidade. Busca a compensação ou o reconhecimento e, via de regra, visa recompensa muito maior do que a que efetivamente prestou.
Alguns casos marcam mais que outros:
Um quando o policial que vai ao local de acidente fica junto com o acidentado, preso às ferragens do caminhão, aguardando socorro de médicos e bombeiros, que sabe serem inúteis. Sabe-se lá com que forças a vítima permanece lúcida e conversando, mesmo com o corpo prensado e perfurado, com aquele sujeito desconhecido dobrado e ajoelhado sobre o asfalto que o manda resistir e tenta lhe dar algum conforto.
Outro quando a vizinha atravessa a rua, limpa e banha à senhora sozinha e doente até que esta possa cuidar-se por si só. Só conhecimento ou amizade não abarcam essas ações.
Outro quando o acidente é menos grave, mas os cuidados e o conforto são os mesmos e a vítima faz parte de sua vida.
Se o autor ou autores são conhecidos, deveríamos louvar-lhes as ações. Se forem desconhecidos deveríamos agir como se qualquer necessitado fosse um daqueles a quem precisamos agradecer ou retribuir. O mundo vai ser melhor.

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